“O PMDB vale metade do governo Dilma”

Michel Temer e Dilma Rousseff

Por: Walter Brito

Todo mundo sabe que o carro-chefe da política é o fisiologismo. O presidente do PT, Rui Falcão, finge que não sabe disso, ou desaprendeu fazer política. Sua infeliz declaração no sambódromo no carnaval do Rio de janeiro, questionando a autoridade do líder do governo do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, foi um tiro que saiu pela culatra. Com isso, Falcão está empurrando o projeto político da presidenta Dilma para o fundo do poço. Não é preciso ser nenhum cientista político para saber que o PMDB endureceria o jogo com o governo, nos momentos cruciais do processo eleitoral. Baseado na premissa de que a política e seus conchavos representam um negócio que precisa auferir resultados, o partido de Ulisses Guimarães está atento ao jogo pesado do ex-presidente Lula, que quer eleger a maior bancada da história do PT no Senado. Com isso, o PT poderá assumir as rédeas daquela Casa em 2015, deixando os peemedebistas a ver navios. Está claro que, o ex-presidente alicerça o seu retorno ao Palácio do Planalto em 2018.

O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), cumpre ordens da cúpula do PMDB e anunciou aos quatro ventos, que o seu partido poderá sair da aliança que sustenta a presidenta Dilma no poder. Caso isso ocorra, o Partido dos Trabalhadores terá poucas chances de continuar no Palácio do Planalto.

Com o xeque-mate do deputado carioca e a gafe de Rui Falcão, Dilma colocou o presidente do PT para escanteio, e comanda pessoalmente o acordo com o PMDB. A presidenta com o seu jeito “gerentona”, impôs uma rígida hierarquia para conversar com os peemedebistas e resolver o imbróglio. Primeiro ela recebeu quem manda no partido, o grande chefe e vice-presidente Michel Temer. O encontro se deu no domingo, 9/03. Na segunda-feira, 10/03, foi a vez dos presidentes do Senado e Câmara, respectivamente Renan Calheiros e Henrique Alves; além do presidente do PMDB, o senador Valdir Raupp. Cunha, que já cumpriu o seu papel como detonador do processo, certamente ficará meio isolado estrategicamente mas, com mais poder do que nunca. Ele fez o que tinha que fazer ! Os principais problemas do PMDB e PT, passam por Goiás, Ceará, Rio de Janeiro e Paraná. Por isso, Júnior Friboi, Iris Rezende e o senador Eunício Oliveira serão os governadoriáveis priorizados para a conversa com a presidenta Dilma. Com 25% de intenção de votos na pergunta estimulada, sem a participação de Iris Rezende, o megaempresário Júnior Friboi se cacifa com muita legitimidade para ser o candidato ao governo de Goiás, tendo o prefeito de Anápolis, Antônio Gomide (PT) como vice. Entretanto, a presidenta Dilma ainda não mexeu no tabuleiro goiano; caso que está sendo costurado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Júnior Friboi, Iris Rezende e Eunício Oliveira

No Ceará, a presidenta Dilma pretende limpar o caminho para os irmãos Gomes e tirar da disputa ao governo o senador do PMDB Eunício Oliveira, preferido do Palácio do Planalto para ocupar o Ministério do Turismo. Contudo, o candidato indicado pelo PMDB para o Ministério do Turismo é o senador paraibano Vital Rego. Resolvidos os dois primeiros casos, o Rio de Janeiro e Paraná ficam para uma segunda etapa. Entretanto, o PMDB deve querer mais alguma coisa, além do Ministério do Turismo. Vale lembrar, que a esta altura do campeonato, faltando apenas sete meses para o pleito eleitoral, o cacife do PMDB, o maior partido da América Latina, vale metade do governo petista. É pegar ou largar!