A polêmica eleição do Iate Clube de Brasília

(Walmar Montenegro Matos)

Por: Walter Brito

O Iate Clube de Brasília, foi fundado no dia 05 de abril de 1960 pelos pioneiros: Ernesto Silva, Leo Sebastião David, Caio Brandão Caiubi, Adeildo Viegas de Lima, Aloysio de Carvalho Silva, Agnelo Paz Sobreira, Antônio Alfredo Paranaguá de Almeida Brandão, Moacir Moreira de Andrade, Eloysio de Carvalho Silva, Francisco José Meinberg e Álvaro Alberto Sampaio.

Juscelino Kubitschek profetizou que o clube seria a sala de visitas da capital brasileira, o que de fato aconteceu. Hoje o clube é o orgulho de todas as gerações da capital candanga e conta com 150 mil metros quadrados, ou seja, 15 equitares. Existem 3800 sócios-proprietários e aproximadamente 30 mil pessoas frequentam o clube mensalmente, incluindo familiares dos sócios e convidados. Considerado o melhor clube do país, em quatro eleições realizadas pela Associação dos Clubes do Brasil, o Iate é um paraíso à beira do Lago Paranoá. Vale lembrar que o clube tem cerca de 400 embarcações, número superior às embarcações existentes, em determinadas cidades famosas do litoral brasileiro.

Eleição acirrada

Desde a fundação do clube até 1986, quando ocorreram as eleições parlamentares no Distrito Federal, os grandes embates da política se davam no clube inspirado por JK e também na OAB-DF, que tem como referência maior, o saudoso presidente da Suprema Corte, Maurício Corrêa. A mais concorrida eleição de todos os tempos no Iate Clube ocorreu no dia 08/10/2013 quando dois candidatos a Comodoro: Júlio Cesar Itacaramby da chapa “Sou Mais Iate” e Edison Antonio Britto Garcia da chapa “Novos Tempos”, disputaram os 1810 votos daquele acirrado pleito. Deu 901 a 901, além de quatro votos em branco e quatro nulos. Com o empate, a comissão eleitoral elegeu comodoro o Júlio Cesar Itacaramby, que tem o título mais antigo, do mês de março de 1983; enquanto que, o de seu concorrente Edison Antônio Britto Garcia é do mês de agosto de 1983. Garcia não se deu por vencido e, argumenta na justiça que é sócio por meio de um título familiar desde 1979. O ex-vice-governador do DF, Paulo Octávio Pereira, casado com a neta de JK, Ana Cristina Kubitschek, disse à reportagem, que a polêmica pode durar até dois anos, o que é ruim para a imagem do melhor clube do Brasil.

40 anos frequentando o Iate

A reportagem entrevistou também o professor aposentado Walmar Montenegro Matos, que chegou à capital brasileira de caminhão, aos 16 anos, no dia 08 de dezembro de 1960. Polêmico e considerado um dos ícones da sociedade candanga, Baianinho como é conhecido, frequenta o Iate Clube há 40 anos. Ele nos recebeu em seu escritório, à beira do Lago Paranoá, nas dependências do clube (seis cadeiras e uma mesa), quando falou de sua paixão por Brasília, pelo Iate Clube, e o empate de 901 a 901. “Comprei um título de sócio-proprietário do clube em 1972. Aqui fiz muitos amigos e percebi que nunca mais ia abandonar está vida boa. Logo comprei um título empresarial, que nos dá direito de reunir três famílias. Um clube que tem 520 funcionários e 15 equitares como o nosso, dá muito trabalho; portanto, aproveito a reportagem para parabenizar todos os comodoros que por aqui passaram. O Juscelino Kubitschek é nossa referência maior, mas o atleta campeão brasileiro Joaquim Cruz, sempre recebeu apoio do Iate. Pena que ele nunca vestiu a camisa do nosso clube.

Gostaria de lembrar que os grandes embates da política nos anos 60 e 70, bem como os primeiros anos da década de 80, os grandes debates políticos se davam aqui. Finalmente, em 1986 ocorreram às eleições partidárias no DF; quando 40 sócios-proprietários foram candidatos naquele pleito, aos cargos de senador e deputado federal. Eu fui um dos candidatos. Relembro também, as grandes festas que ocorreram nesse clube histórico: festas juninas, carnaval e réveillon. As mais badaladas do Brasil eram as festas de carnaval, quando o Clube do Congresso realizava dois bailes, no sábado e na segunda-feira; enquanto que o Iate fazia o espetáculo no domingo e na terça-feira. Eu pergunto, quem é que não tem saudades daquela época? Conheci o mundo inteiro e, o bom mesmo é o Brasil, especialmente a Bahia onde nasci; Brasília e o Iate Clube. Muitas vezes questiono os amigos que elogiam de forma exagerada a Europa, os EUA e as Arábias. Pergunto logo - vocês trouxeram um tsuname da Ásia, um atentado dos EUA ou a crise econômica da Europa?”, brinca Montenegro.

Filho de Oscar de Queiroz Matos e Waldir Montenegro Matos, criadores da Faculdade Montenegro na Bahia, Baianinho é irmão do dentista Ozir, da médica Magnólia Montenegro, do procurador do GDF Osnimar e do jornalista Waldir Montenegro. Waldir é chará de sua saudosa mãe. Todos fizeram história no Iate Clube.

A Brasília mais conhecida dos brasilienses

Baianinho movimentou diversas eleições do Iate Clube a bordo de uma Brasília, que se tornou referência de automóvel esportivo na capital brasileira, nos anos 80: “Comprei uma Brasília do gerente do restaurante Pientella em 1981, quando paguei 23 mil cruzeiros. Queria sofisticar aquele automóvel, que era velho e muito comum; não tinha sequer cano de descarga. Um dia encontrei o Wagner Canhedo Filho, então proprietário da VIPLAN, que me presenteou com dois bonecos enormes da Michelin, pareciam dois Budas! Fui ao meu mecânico, o Zequinha, que colocou os dois bonecos, um de cada lado na frente da Brasília, o que foi o bastante para torná-la o automóvel mais conhecido do DF, em todos os tempos. A minha Brasília fez história no país, ao lado do famoso calhambeque de Roberto Carlos”, disse.

Foi nesse clima de descontração e muito bom humor, que o mais famoso Iatista comentou as eleições ocorridas no Iate Clube recentemente: “Pela primeira vez na história de nosso clube houve empate. Tenho o costume de comentar que isso foi um capricho dos Deuses. Talvez seja uma mensagem para mostrar que precisamos de mais unidade, mais respeito de um sócio com outro, e, não podemos perder o foco de nosso azimute do Iate. Quero que haja bom senso de ambas as partes e, que trabalhemos juntos por um caminho único e melhor para todos. Vamos sentar à mesa e discutir a unidade na diversidade, mesmo que tenhamos pensamentos diversos. Vamos encontrar uma saída, para não manchar o nome do clube inspirado pelo grande estadista Juscelino Kubitschek de Oliveira”, concluiu.