O poeta das curvas viveu quase 105 anos

Por Walter Brito

Ontem a partir das 21h 55, as manchetes dos jornais, revistas e editorias de TVs, rádios e internet de todo o mundo, se curvaram para reverenciar o criador de Brasília e da arquitetura moderna, Oscar Niemayer.

O suíço Le Corbusier, professor de Niemayer, foi superado pelo aluno que reescreveu a história da arquitetura no mundo.

Tive o prazer de conhecê-lo, quando o arquiteto vistoriava as obras do Sambódromo do Rio de Janeiro em 1983, oportunidade em que o entrevistei para o jornal Tribuna da Imprensa. Ele tinha a sabedoria de ouvir o seu interlocutor. Quando falava, era só ensinamentos. Foi por meio destes, que Niemayer deixou para o mundo, um dos mais importantes legados da arquitetura curvilínea, baseada no concreto armado.

  • O arquiteto homenageou o criador de Brasília, quando ergueu o monumento com a figura de JK, muito questionado à época por ter a forma de uma foice, símbolo do comunismo cubano.

    Humanista, Niemayer era presidente de honra da Rede das Redes em defesa da Humanidade, ocasião em que encabeçou abaixo-assinado dirigido ao presidente americano Barack Obama, se posicionando contra o imperialismo e, exigindo a desativação da Prisão de Guantámano.

    Despreocupado com bens materiais, Niemayer também era fiel aos amigos. Ao saber que o camarada Luiz Carlos Prestes não tinha casa para morar, o comunista não titubeou e prontamente doou um apartamento em Copacabana, ao cavalheiro da esperança.

    Conhecedor profundo da causa negra no Brasil, Niemayer deixou sua marca no museu Afro-Brasil em São Paulo, onde se encontra uma rica normativa da história do negro neste país e no mundo. O prédio tem linhas arrojadas e inconfundíveis, pois, o traço é de Niemayer.

    Página Inicial