O Racismo no Brasil é Institucional

  • Daniel Echaniz

  • Por Walter Brito

    Segundo enquete feita pelo nosso site junto a internautas de todo o país, durante o mês de fevereiro, detectou que o modelo Daniel Echaniz, expulso do Big Brother foi vítima de racismo.

    Daniel foi acusado de ter estuprado a sua colega de quarto e de cama Monique. Naquela madrugada fatídica, o povo brasileiro acompanhou o movimento anormal dos edredons, na cama em que se deitaram Daniel e Monique. O que é comum naquela casa, desde a criação do primeiro programa. Entretanto, o movimento dos edredons seria normal, se Daniel não fosse negro. É a opinião de 62,96% dos internautas brasileiros em todos os estados. Por outro lado, 25,93% entendeu que não houve racismo. Já 11,11% preferiu não se posicionar, ou seja, ficou em cima do muro.

    A mesma opinião da maioria dos internautas foi compactuada por Boninho, diretor e criador do programa Big Brother. Para quem não sabe, Boninho é filho de José Bonifácio Sobrinho, o Boni, ex-diretor geral da TV Globo e responsável pelo sucesso da emissora e pelos primeiros passos da televisão brasileira.

    Boninho disse o seguinte: ”Chamei Monique ao confessionário. – Ela não confirmou que teve sexo. Disse que tudo que aconteceu e o Brasil testemunhou pela TV, foi consensual. Na minha opinião é um caso de racismo”, concluiu.

    Boninho, um dos homens mais respeitados da comunicação nacional, só confirma o que todo mundo sabe e não quer admitir: O racismo no Brasil é institucional. A origem disso é a seguinte:

    Origem do Racismo no Brasil

    Em 1888, o povo negro brasileiro foi tirado das fazendas dos diversos rincões de nosso país e jogado nas ruas das cidades, principalmente nas capitais como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. A desculpa era que a princesa Isabel tinha libertado os escravos. Não sabia o povo negro, que a partir dali aumentaria, de forma efetiva, o seu sofrimento. Aquele povo humilde e trabalhador, foi jogado nas ruas sem lenço e sem documento e, sem nenhum preparo para enfrentar o mercado de trabalho.

    Tudo isso, porque o sistema opressor e racista trocou a mão-de-obra escrava, composta por cidadãos que derramaram o sangue, para fincar as estacas que sustentaria um país chamado Brasil. Os escravos foram trocados por mão-de-obra especializada na agricultura vinda de diversas partes do mundo, como do Japão, da Europa e de outros países da América Latina. A ideia do sistema opressor e capitalista era uma só: lucrar e lucrar. Consequência disso é a maioria dos afrodescendentes nas prisões do Brasil; a maioria dos analfabetos; a maioria dos desdentados; a maioria dos desempregados; a maioria dos que nada tem para comer em suas casas.

    Ações Afirmativas

    A política de ações afirmativas, que teve notoriedade com a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, de autoria do senador gaúcho Paulo Paim (PT), incomoda profundamente as elites que entendem que o negro ainda não pode sair da cozinha para a sala de visitas. Entretanto, entre os poderosos da elite brasileira, estão alguns parlamentares. Além de cortar 70% das questões positivas favoráveis ao povo negro brasileiro, no Estatuto da Igualdade Racial, alguns parlamentares continuam equivocadamente a afirmar que, o Brasil não precisa de cotas raciais, e sim sociais. Questionam veementemente, inclusive, as cotas para afrodescendentes nas universidades brasileiras.

    Todo mundo sabe, que numa corrida de 2 mil metros, o corredor que der a largada 500m à frente dos demais, tem mais possibilidades de vencer a corrida. O mesmo ocorreu quando há 124 anos passados, o povo negro foi jogado ao léu, sem nada saber, para se integrar no processo de desenvolvimento da nação brasileira. Este povo ficou na última fila no desenvolvimento. Faz-se, portanto, necessário à reparação dos erros do passado. As ações afirmativas são compensações mais do que válidas, para que o negro possa se equiparar as demais etnias no futuro.

    Dia de Zumbi

  • Nelson Mandela e Barack Obama

  • Dia 20 de novembro, rememoramos a morte de Zumbi dos Palmares, morto covardemente em 20 de novembro de 1695, numa emboscada pelos seus algozes. Zumbi é o símbolo da luta contra a opressão e pela igualdade racial em nosso país. No dia 20 de Novembro de 2011, completou 316 anos de sua morte. Os mesmos algozes que tombaram nosso líder, agora engravatados no Congresso Nacional, tentam impedir a ascensão daqueles que derramaram o sangue para a construção do Brasil e, são flagrantemente impedidos de participar de sua administração.

    Alegam eles que o negro não está preparado para o poder, pois não tem preparo intelectual, não tem formação política, não tem recursos para concorrer e ser eleito para um cargo público. Os detratores de Zumbi continuam de forma sofisticada, a tirar todos os direitos do negro de frequentar com dignidade uma universidade pública. Este sim é o caminho legal, para ter igualdade de direitos em qualquer esfera da administração pública, privada e do poder constituído. O Brasil e o mundo sabem que a Condoleezza Rice e o próprio Barack Obama, se beneficiaram, de uma forma ou de outra, das cotas raciais oferecidas há décadas nos Estados Unidos da América.

    A lei para inglês ver

  • Valeu a pena Caó! Ex-deputado Carlos Alberto de Oliveira

  • Como se vê, o racismo no Brasil é institucional e os diversos casos de repercussão, inclusive internacional, como o que ocorreu com o jogador Grafite, discriminado pelo argentino Leandro Desábato, não são punidos. Ocorreu também com o jogador do Cruzeiro Eli Carlos, chamado de macaco pelo argentino Max Lópes. O caso do piloto da Transbrasil, Sérgio Arquimedes Pacheco da Cruz, discriminado e desrespeitado pelo então deputado federal Remi Trinta é mais um exemplo, que ocorre no dia-a-dia em nosso país.

    Por outro lado, a lei que pune os crimes de racismo, 7716/89-lei Caó, criada pelo então deputado federal do Rio de Janeiro e militante inconteste da causa negra, Carlos Alberto de Oliveira, o Caó, sempre foi impedida de ser aplicada.

  • Rosa Parks

  • O mundo evoluiu. Nelson Mandela, que ficou preso por 27 anos num cárcere privado na África do Sul por não aceitar o racismo, saiu da prisão e, tornou-se o melhor presidente que a África do Sul já teve.

    O país que discriminou a negra Rosa Parks, que se recusou a ceder o seu assento num ônibus, elegeu Obama, presidente da República e poderá reelegê-lo em 2012.

    Enquanto isso no Brasil, o congresso cortou 70% do Estatuto da Igualdade Racial, para legitimar o racismo e continuar impedindo que negros como Daniel Echaniz, se relacione com uma branquinha na TV, mesmo que seja debaixo dos edredons. É a opinião de 62,96% dos internautas do país.

    Fica claro que o povo tem consciência e aceita mudança. Mas, as instituições, especialmente as governamentais, jogam tudo para debaixo do tapete.

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