O Brasil perde Maurício Corrêa

  • o jornalista Walter 
Brito, na posse do Ministro Maurício no Supremo

  • Por Walter Brito

    Nós perdemos um amigo do peito e do coração.

    Morreu aos 77 anos, num hospital de Brasília, com problemas cardiovasculares. .

    Advogado competente, ex-presidente da OAB/DF, quando enfrentou de peito aberto a ditadura militar. Naquela oportunidade ele expulsou da sede da OAB/DF, o temido general Newton Cruz.

    Senador da República e um dos destaques do Congresso Nacional, por ocasião do impeachment do Fernando Collor. Como Ministro da Justiça, foi um dos mais combativos e competentes que a pasta teve nas últimas décadas.

    Aposentou-se pela compulsória no Supremo Tribunal Federal, aos 70 anos. Despediu-se da Suprema Corte, parafraseando Manuel Bandeira: “Vou embora pra passárgada”.

    Seu último sonho era governar Brasília. Perdeu as esperanças, quando se candidatou a vice-governador na chapa encabeçada por Maria de Lourdes Abadia. Na ocasião, perdeu para José Roberto Arruda.

    Em seguida, revalidou sua carteira na OAB/DF e voltou para advocacia, com foco nos Tribunais Superiores.

    Frequentei durante décadas sua residência em Brasília, principalmente quando militávamos no PDT de Leonel Moura Brizola.

    No Ministério da Justiça e no Supremo, nos recebia com alegria. Era simpático à causa negra. Quando ele era Ministro da Justiça, dirigíamos a Fundação Cultural Palmares.

    Maurício fez questão de nos acompanhar ao gabinete do presidente Itamar Franco, para sugerir o nome do ator Milton Gonçalves para o Ministério da Cultura. Milton foi conosco. Acompanhou-nos também o Rubão, amigo fiel de Maurício. Os saudosos Climério e Marlan Rocha, também estiveram presentes.

    Milton agradeceu e declinou do honroso convite, pois, era candidato a governador pelo Rio de Janeiro.

    Perdemos, portanto, um humanista, um amigo! Maurício José Côrrea.