Grupo IBOPE não está a venda

Desde sua criação em 13 de maio de 1942, o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística - IBOPE - esteve presente em todos os momentos decisivos da história nacional como porta-voz do povo brasileiro. Parte integrante do processo político e democrático, o IBOPE foi pioneiro na realização de pesquisas no Brasil.

Graças ao esforço e visão empreendedora do paulista Auricélio Penteado, idealizador e fundador do IBOPE, as pesquisas popularizaram-se e, hoje, são reconhecidamente um instrumento válido para aferição de tendências.

O Início: Aprendizado

Na década de 40, Auricélio era dono da Rádio Kosmos de São Paulo. Ansioso por conhecer os índices de audiência de sua emissora, foi até os Estados Unidos estudar no American Institute of Public Opinion, criado em 1935 por George Gallup, para aprender as técnicas de pesquisa. De volta ao Brasil, começou a medir a audiência das rádios de São Paulo e, curiosamente, constatou que a Rádio Kosmos não estava entre as mais ouvidas. A partir daí, passou a dedicar-se exclusivamente às pesquisas.

Os obstáculos financeiros para solidificar a marca IBOPE foram superados com o apoio de pessoas tão empreendedoras quanto o próprio Auricélio Penteado. Entre os que acreditaram na iniciativa inovadora de criar um instituto de pesquisa no Brasil e investiram neste projeto estão Cícero Leuenroth, fundador da Standard Propaganda; João Alfredo Souza Ramos, da Agência Panam; Richard Penn, da Colgate-Palmolive; Brasílio Machado do Neto, da Associação Comercial de São Paulo, além de outros que colaboraram com pequenas cotas.

Crescimento e mudanças administrativas

Com a incorporação da Cipex, empresa especializada em levantamentos sobre a veiculação de anúncios nos diários de São Paulo, Santos e Campinas, o IBOPE passou a oferecer, ainda no primeiro mês de existência, o ranking dos principais anunciantes de jornais, produto que foi bem aceito pelo mercado.

Em 1950, ano em que o aparelho televisor chegou ao Brasil, o fundador Auricélio Penteado deixou a direção do IBOPE. O comando da empresa passou para Paulo de Tarso Montenegro, José Perigault, Guilherme Torres e Hairton Santos.

Com o falecimento de José Perigault em 1977, Paulo Montenegro assumiu a presidência da empresa. Em 1978, convidou seus filhos Carlos Augusto Montenegro e Luis Paulo Montenegro para ajudá-lo na tarefa de transformar o IBOPE no maior grupo de pesquisa de mercado da América Latina.

A partir de então, muitas modificações foram feitas. Em 1986, houve a criação de três divisões de pesquisa independentes: Mídia, Opinião e Mercado. Em 1988, o IBOPE passou a realizar as primeiras pesquisas de boca de urna, antecipando com extrema precisão o resultado das disputas eleitorais. Em 1990, o IBOPE associou-se a Millward Brown, passando a oferecer também serviços relacionados a estudos de marcas e comunicação.

Mais do que simples mudanças na diretoria, a participação de Carlos Augusto e Luis Paulo Montenegro no comando do Grupo representou o início de uma nova fase. Eles investiram na modernização tecnológica da empresa, no aprimoramento constante das técnicas de pesquisa e lançamento de novos produtos, além de alterarem as bases administrativas do Grupo, o que fez com que o IBOPE se destacasse em um mercado cada vez mais exigente e globalizado.

Responsabilidade social

No ano 2000 o IBOPE inaugurou o Instituto Paulo Montenegro, instituição sem fins lucrativos que coordena as ações sociais do Grupo IBOPE. O Instituto tem como foco a educação, desenvolvendo projetos como o Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião (NEPSO), que incentiva o uso pedagógico da pesquisa de opinião, e o Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (INAF), que mede o alfabetismo funcional em todo o Brasil.

O nome do Instituto foi escolhido em homenagem a um dos mais importantes dirigentes do IBOPE, Paulo de Tarso Montenegro, que além de uma atuação marcante no Grupo, também foi responsável pelo início do processo de engajamento social da empresa.

  • O economista Carlos Augusto Saad Montenegro, presidente do IBOPE, tem 57 anos, nasceu no Rio de Janeiro e botafoguense de carteirinha. Inclusive, já foi presidente do clube carioca. O faturamento total do IBOPE e de 250 milhões de dólares ao ano.


  • O não de Montenegro

    “A possibilidade de a Nielsen vir a medir audiência de televisão no Brasil, anunciada recentemente, surgiu quatro meses depois da oferta que a empresa americana fez para comprar o Ibope. Ofereceu a Carlos Augusto Montenegro 800 milhões de dólares. Ouviu um “não” como resposta. Aliás, foi o Ibope que anos atrás comprou a operação da Nielsen na América Latina”, disse Lauro Jardim.






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