Ester: 3 filhos, um destino e sua filmadora

  • Ester e os camaradas do Partido Comunista do Brasil

  • Por Walter Brito

    Ela é metade paraguaia e espanhola e metade brasileira, entretanto, o seu coração é inteiro cristalinense. Ester Ruiz tem uma das histórias mais bonitas na defesa dos mais humildes, que se tem notícias, na Região Metropolitana de Brasília.

    Tal qual a irmã Dulce da Bahia, que aos 13 anos começou a ajudar mendigos, enfermos e desvalidos. A Ester de Cristalina fazia o mesmo, quando criança.Ela é filha de um paraguaio com uma espanhola, radicados no Brasil, na cidade de Foz do Iguaçu.

    Com pouco mais de 10 anos, Ester que teve uma infância pobre e sofrida, mesmo com as suas dificuldades, procurava aproximar-se dos mais carentes, idosos e desvalidos. Muito atenta com as causas sociais, a menina Ester prometeu a si mesma que um dia, realizaria o seu sonho, desenvolvendo um trabalho que ajudasse de forma consistente os menos favorecidos.

    Ela e o seu marido Roberto, se conheceram nos anos 90, na galeria Gebai no Paraguai, em uma loja onde ela trabalhava e o editor de imagens da TV globo Roberto Ruiz fazia compras.

  • Irmã Dulce

  • Logo se casaram, tendo como padrinho, o chefe da redação da TV globo em Brasília, Ângelo Renato. Ester, foi viver em Brasília ao lado do marido, o Roberto Ruiz. Durante muitos anos, o Roberto trabalhou na TV Globo, sob a chefia do jornalista Carlos Monfort, da jornalista Ana Paula Padrão e também Carlos Nascimento e Alexandre Garcia.

    Logo, a inquieta Ester, se interessou pela profissão do marido e passou a dominar com maestria a máquina fotográfica e a filmadora. Enquanto o marido cuidava das grandes reportagens na TV Globo, Ester filmava e fotografava os mais humildes da periferia de Brasília, oferecendo como presente o seu próprio trabalho. Por onde andou ao lado do Roberto, esta foi a sua sina: Agradar e ajudar os mais humildes.

    Os filhos do casal: Júlia, Juliana e Matheus, nasceram em Brasília. Na companhia dos pais, caíram logo cedo na estrada. Moraram em diversas cidades do Entorno do DF, dentre as quais, Cidade Ocidental, Novo Gama e Luziânia. Sempre na labuta pela sobrevivência, exercendo a profissão de cinegrafistas e repórteres independentes, o casal Ruiz, logo foi conhecendo com bastante profundidade as problemáticas da Região.

  • Olga

  • Em 2005, a família Ruiz, foi convidada para prestar serviços à prefeitura de Cristalina, cidade localizada a 130 km do Distrito Federal. Por lá se estabeleceram. Ester continuou a fazer o seu trabalho, ou seja: Uma fotografia para uma família que comemorava um aniversário, filmagem de um casamento para outra, enquanto o marido produzia filmes, para divulgação do município de Cristalina. O pagamento que Ester recebia na maioria das vezes, era um muito obrigado, uma galinha ou uma dúzia de ovos como presente e, raríssimas vezes o pagamento era efetivado em espécie. Contudo, aquilo para ela, não importava muito: “Gosto de ver as pessoas felizes e sorridentes. Muitas vezes um pai de família precisa de uma fotografia para guardar de lembrança e não tem dinheiro. Sempre que posso, atendo essas pessoas cobrando mais barato e muitas vezes o fiz, sem qualquer pagamento.” Declarou Ester.

    Por meio de seu trabalho, a jornalista itinerante ficou conhecida na periferia de Cristalina e também na zona rural. Entre os pequenos e médios produtores, Ester sempre procurou divulgar as coisas do campo e seu povo. Com isso, ela também se tornou muito querida no assentamento Vitória; Vista Alegre; Buriti das Gamelas; Casa Branca; Presidente Lula e também no povoado de São Bartolomeu e Marajó. Talvez pelo fato de ter uma relação forte com esses segmentos sociais, a jornalista itinerante de Cristalina, passou a ser perseguida pelos poderosos da cidade.

    Entrevistada pela reportagem, ela disse que tentaram impedir sua candidatura, mas ela foi valente e conseguiu passar por cima das dificuldades e de seus detratores:” Não tenho medo de perseguições e nem de ameaças.

    Tenho como exemplo no meu partido, a saudosa Olga Benário, mulher do Cavaleiro da Esperança, o comunista Luis Carlos Prestes, o Luis com S. Olga, foi sua segurança, mãe de sua filha e lutadora pelos mais humildes. Sinto que minha sina também é essa, defender os desvalidos. Peço por meio dessa reportagem, um voto de confiança aos cristalinenses, para que eu possa defender, com a bravura de Olga Benário, o povo humilde de Cristalina” concluiu.

    Página Inicial