Caputo não usou seu prestígio para impedir demissão da Jô

Renata Fan e Galvão

Por Walter Brito

A comunidade negra brasileira não aceita a forma com que a ex-empregada doméstica e militante do Movimento Negro Nacional e advogada Josefina Serra dos Santos, foi demitida da Secretaria Especial da Promoção da Igualdade Racial- SEPPIR. “Eu não sei por que fui demitida. O companheiro Agnelo não me falou nada. Não sei o que aconteceu”, disse.

Jô foi demitida no dia 24 de outubro, as vésperas da data Nacional da Consciência Negra, dia 20 de novembro, oportunidade que a negritude reverencia a morte de Zumbi dos Palmares, símbolo da luta contra a discriminação racial no Brasil.

Excelência Administrativa

Vale ressaltar que Jô é considerada por seus pares da negritude brasileira e candanga, como boa administradora e realizadora de um grande trabalho na SEPPIR DF. Entre as ações implementadas na administração da injustiçada Jô, destaca-se o processo de mapeamento das comunidades tradicionais, como terreiros e comunidade indígena. Outro avanço da Secretaria foi o selo criado por Josefina, que obriga a Associação Comercial do Distrito Federal, abrir vagas no comércio da capital brasileira para afrodescendentes. A advogada e militante do movimento negro nacional Josefina Serra dos Santos, exigiu da ex-deputada distrital e presidente da CODEPLAN, Ivelise Longhi, o mapeamento estatístico da comunidade negra no Distrito Federal, quando foi identificado que 57% da população da capital brasileira é formada por afrodescendentes. A pesquisa indica ainda que o maior número de universitários negros da capital brasileira se encontra na Cidade Estrutural. Tudo isto mostra, o bom desempenho que teve a ex-empregada doméstica Jô, à frente da discussão racial, no Governo petista, comandado pelo médico Agnelo Queiroz.

Jô, magoada e ressentida com o que aconteceu, reafirma aos quatros ventos, que não sabe por que saiu pelas portas dos fundos do Palácio do Buriti, pois, o governador não fez nenhum comunicado e nenhuma advertência sobre a sua possível saída do cargo.

Militantes do Movimento Negro Contra Caputo

Militantes do Movimento Negro Nacional de todo o país e de diversos partidos políticos virão à Brasília no dia 20 de novembro, para dizer ao Agnelo Queiroz, que a figura histórica de Josefina tem que ser respeitada, já que quando ele demite qualquer secretário e até mesmo colaboradores do segundo escalão, existe um processo explicando o porquê da demissão, o que não foi feito com a Jô. Ela foi colocada para fora do Palácio do Buriti pela porta dos fundos, tal qual a comunidade negra brasileira foi colocada nas ruas com o balaio na cabeça, sem lenço e sem documentos, por ocasião da abolição da escravatura em 1888. Vale relembrar que a mão de obra da comunidade negra brasileira foi substituída pela mão de obra especializada, vinda dos países europeus, do Japão e outras nações, empurrando o negro para sarjeta, onde ele está até hoje.

Palavra do advogado Nelson Mandela

  • Segundo Nelson Mandela (foto), em sua viagem ao Brasil, após ter saído do cárcere onde ficou 27 anos e antes de ser presidente da África do Sul, disse o seguinte: “A situação do negro no Brasil é pior do que no meu país. Lá o piloto desse avião que nos leva ao Espírito Santo, é negro. O meu advogado também é negro, como são o meu médico, o engenheiro e arquiteto, inclusive os dois últimos, que estão construindo a minha residência e, a maioria de meus assessores hoje e no futuro, caso eu vença as eleições para presidente na África do Sul. Aqui no Brasil, visitei os hospitais e praticamente não têm médicos negros. Empresários são raros e raros também são os funcionários no alto escalão do Governo”, disse Mandela, a este repórter em viagem ao estado do Espírito Santo, governado à época pelo afrodescendente Albuíno Azeredo.

    Doutora Josefina é usada por Caputo

    Por outro lado, a OAB-DF comandada pelo doutor Francisco Caputo, se calou e não defendeu sua presidenta da Comissão de Direitos Humanos e Direitos Sociais. “Como é que Caputo se diz defensor das prerrogativas dos advogados, sem dar uma palavra sequer a favor de uma pessoa que teve sua imagem usada, enquanto negra e advogada, em prol de sua candidatura para OAB-DF em 2009”, disse Júlio Antônio Mário, bacharel em Direito e militante do Movimento Negro do Rio de Janeiro. Já o advogado brasiliense Paulo Henrique Abreu, conhecido nas leeds da advocacia como PH, publicou artigo na imprensa candanga, afirmando que a OAB não comporta ingerência política em seus assuntos internos, nem tão pouco alinhamentos com os governos de A ou B. Ele disse também que: “Penso que, sem fazer críticas pessoais ao seu presidente, Francisco Caputo, a OAB está domesticada pelo governador do DF, o petista Agnelo Queiroz”. E mais, “Desde o ano passado, Agnelo designou o seu secretário de Segurança Pública, delegado Sandro Avelar, compadre do Caputo, como interlocutor perante a classe. Tal atitude pode ser considerada uma bizarra introdução na OAB/DF”.

    O militante do movimento negro do Rio de Janeiro, que leu e analisou o artigo de PH, argumentou o seguinte: “Se Caputo manda tanto no Agnelo, por que então, ele não segurou na SEPPIR a nossa Jô. A SEPPIR do DF é uma secretaria de faz de conta, que no Brasil não tem racismo. Lá não tem nenhuma força política, desprovida inclusive, de recursos financeiros e de pouca importância para a cúpula do PT no DF e no Brasil. A Jô é o maior trunfo do Caputo para conquistar o voto do advogado negro na eleição do dia 26 de novembro. Entretanto, no dia 20 de novembro, dia de Zumbi, vamos reunir todos os advogados negros do Distrito Federal, para cobrar uma posição do senhor Agnelo e a hipocrisia do senhor Caputo.

    A mentira do Caputo

    Ele diz ainda (o Caputo), em alto e bom som aos advogados, que não é sua prática promover jantares caros para conquistar advogados, o que não é verdade. Ele não postou em seu site, a festa milionária que ofereceu para os advogados do Entorno de Brasília na cidade de Formosa. Vale lembrar que lá temos um militante do movimento negro que é advogado e nos passou a informação, inclusive, com as referidas fotos. E mais, o Caputo alega também que não politiza a Ordem, o que também não é verdade. Ele e sua turma mantiveram estreitas relações com o ex-governador Arruda, preso pela Polícia Federal, durante a operação Caixa de Pandora. Agora o Artigo do PH, mostrou de forma clara e objetiva, suas relações com o Governo do PT no DF. Relato ainda que Caputo afirmou de forma contundente, em seu vídeo de campanha, dirigido aos 30 mil advogados do DF, o seguinte: “Na minha chapa não existe fisiologismo, não existe abuso de poder econômico”. Teoricamente o seu discurso é um. Na prática ele faz o contrário do que diz.

    Desafiando Caputo

    Seu Caputo! Vamos deixar o fisiologismo do lado e responda para a comunidade negra: Por que o senhor não defendeu de pronto, as prerrogativas da doutora Josefina Serra dos Santos, que foi desrespeitada como advogada, como ser humano e como secretária de Estado, no Distrito Federal, sob o comando do governador Agnelo Queiroz?. Fica a pergunta e um até breve, pois, no dia 20 de novembro teremos um encontro, que será histórico”, declarou Mário.