Brizola Neto será ministro mais jovem da equipe de Dilma

  • Brizola Neto

  • Nathalia Passarinho

    Do G1, em Brasília

    Deputado de 33 anos foi escolhido para comandar Ministério do Trabalho.

    Ele é neto de Leonel Brizola, fundador do PDT e ex-governador do RJ.

    Escolhido nesta segunda-feira (30) para comandar o Ministério do Trabalho, o deputado Brizola Neto (PDT-RJ) será o ministro mais jovem da equipe da presidente Dilma Rousseff. Ele tem apenas 33 anos e é neto do fundador do PDT e ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, que morreu em 2004.

    A nomeação para o Ministério do Trabalho era cobrada pelo PDT e pelas centrais sindicais desde a saída de Carlos Lupi, que comandou a pasta por mais de quatro anos e deixou o cargo em dezembro do ano passado, após uma série de denúncias de corrupção.

    O comando da pasta era ocupado interinamente pelo ex-secretáro-executivo Paulo Roberto Pinto. A indicação do novo ministro acontece na véspera do Dia do Trabalho, 1º de maio. Brizola Neto não era o nome preferido do PDT, mas sua indicação era defendida por sindicalistas e pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical.

    “É uma decisão pessoal da presidenta. Dentro do partido não é o que agrada mais”, afirmou ao G1 o vice-presidente do PDT, André Figueiredo (CE). Também eram cotados Manoel Dias, secretário-geral do PDT e o deputado Vieira da Cunha (PDT-RS), nome de preferência da bancada do PDT na Câmara.

    A indicação de Brizola Neto foi anunciada após reunião de Dilma com Lupi. O novo ministro começou a vida política como vereador do Rio de Janeiro em 2004 e foi Secretário de Trabalho e Renda do estado. Em 2006, foi eleito deputado federal e assumiu a liderança do PDT na Câmara em 2009, aos 30 anos.

    Em seu blog, Brizola Neto diz que a pouca idade não é incompatível com o “equilíbrio”. “A vida tem me ensinado que a força da juventude e o equilíbrio da idade não se contradizem, e boa parte dessa lição eu tenho aprendido com o casamento com Julia e com a delicadeza de minha Maria Clara, que completou seu primeiro aninho em maio”, diz o deputado no blog, onde conta sua trajetória política.

    Uma das paixões do novo ministro é surfar. No blog, Brizola Neto diz que, quando mais jovem, integrou o projeto “Favela Surf Club”, que ensina meninos das favelas do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho a surfar e fabricar pranchas. “Gostava (que saudade!) de pegar onda, e acabei por tornar-me amigo de vários jovens das favelas da Zona Sul. Se tinha gente metida que torcia o nariz ao meu sobrenome Brizola, com eles só rolou identidade”, conta Brizola Neto no blog.

    Crise

    Após a queda de Lupi do Ministério do Trabalho por denúncias de irregularidades na pasta, Brizola Neto defendeu que o ex-ministro também se afastasse do comando do PDT, o que não ocorreu. Pouco mais de um mês após ser demitido da pasta, Lupi reassumiu em janeiro a presidência do partido.

    "Não dá para o Lupi sair do ministério, colocar um paletó, e voltar ao Planalto para negociar com o governo em nome do partido", disse Brizola Neto no início de dezembro, após o PDT anunciar que Lupi reassumiria a presidência a partir de janeiro.

    O novo ministro também defendeu, na ocasião, que a interlocução do PDT com o Planalto não fosse mais feita apenas por Lupi. Ele defendeu a criação de uma comissão para atuar como interlocutora da legenda junto ao Palácio do Planalto.

    "Poderíamos ter uma comissão com integrantes selecionados entre nomes da Executiva do partido, para negociar junto ao governo. É preciso democratizar a interlocução. Espero que o ministro tenha um gesto de grandeza de perceber que não é momento ideal para ele assumir a presidência do PDT", afirmou.

    Novo ministro do Trabalho diz que vai atuar por 'união' do PDT

    Kleber Tomaz

    Do G1 SP

    Brizola Neto foi indicado pela presidente Dilma para comandar pasta.

    Escolha não agrada parte do PDT, que reclama de 'falta de diálogo'.

    Indicado pela presidente Dilma Rousseff para comandar o Ministério do Trabalho, o deputado Brizola Neto (PDT-RJ) afirmou nesta terça-feira (1º) que terá como primeira “tarefa” atuar pela união do PDT. A escolha da presidente por Brizola Neto não agrada a cúpula do partido, que reclama de “falta de diálogo” com o governo federal.

    “[Minha primeira tarefa] Será buscar reafirmar a unidade do partido e o apoio ao governo da presidente Dilma Rousseff”, afirmou o novo ministro durante evento em comemoração ao Dia do Trabalho, em São Paulo. Ele minimizou ainda as insatisfações do partido com sua indicação.

    “Em qualquer partido é normal que haja escolhas e preferências pessoais”, avaliou. Nesta segunda, Brizola Neto havia dito que sua nomeação ao cargo "vai ajudar bastante" a pacificar a relação do PDT com o governo.

    Ainda nesta terça, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, negou que haja um “racha” no partido por causa da indicação de Brizola Neto.

    “O PDT não está rachado. É algo normal. Tiveram três nomes e um deles foi escolhido. As centrais sindicais indicaram o Brizola Neto”, disse. A indicação para o Ministério do Trabalho foi anunciada nesta segunda (30) pelo Palácio do Planalto, após reunião de Dilma com o presidente do partido, Carlos Lupi, que comandou a pasta por mais de quatro anos e deixou o cargo em dezembro do ano passado, após uma série de denúncias de corrupção.

    Além de Brizola Neto eram cotados para o cargo o secretário-geral do partido, Manoel Dias, e o deputado Vieira da Cunha (PDT-RS). O vice-presidente do PDT, André Figueiredo (CE), afirmou na segunda que Brizola Neto não é o nome “que mais agrada” a legenda.

    “O partido não tem indicação nenhuma neste processo. É uma indicação da presidente. Ela [Dilma] nunca chamou o partido para conversar. Esta relação [com a presidente] vem arranhada desde dezembro. [...] Ainda não houve diálogo. O que houve foi uma comunicação do novo ministro. A falta de diálogo é algo que nos desagrada", criticou o deputado.