Mídia não leva a sério ações afirmativas

O desinteresse da mídia e dos institutos de pesquisas, em aprofundar no tema das cotas raciais nas universidades é muito grande.

No dia 9 de novembro completou dez anos que as cotas foram implantadas no Brasil. Hoje existem 110.000 mil cotistas negros em 32 universidades estaduais e 38 universidades federais. Entretanto, não houve nenhuma matéria, analisando com profundidade a questão nas principais revistas do país, nem nas três grandes emissoras de TV aberta. Foram publicadas algumas matérias nos jornalões, mas sem base cientifica, pouco investigativa e muitas delas de forma pejorativa.

  • A socióloga Luiza Helena de Bairros, luta com todas as forças pela comunidade negra. Ela é Ministra da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).

  • Na internet, que se encontram pesquisas qualitativas e quantitativas sobre os mais variados temas, inexiste pesquisa avaliando o resultado efetivo do sistema de cotas implantado no país. Sabe-se de forma aleatória, que foi positiva a implementação das “ações afirmativas”, no entanto não sabemos onde estão trabalhando, por exemplo, médicos, engenheiros, cientistas, jornalistas e etc., que se formaram por meio das cotas

    O dia 20 de Novembro é a Data Nacional da Consciência Negra, portanto uma boa oportunidade para a mídia fazer uma reavaliação da importância das “ações afirmativas”. Sugerimos traçar um perfil sobre a ascensão da comunidade negra após as cotas nas universidades.

    Veja abaixo matéria publicada sobre o assunto.


    "Negro é protagonista do mercado emergente”, aponta instituto de pesquisa

    Nos últimos 15 anos, a população negra economicamente ativa cresceu 58,3% e a renda média do negro subiu 29,3%, de acordo com o instituto Data Popular a partir dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE). Para Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto, essa melhoria é alimentada pelas políticas distributivas (Bolsa Família e ganho real do salário mínimo) e pela ascensão que os negros apenas começam a experimentar no mercado de trabalho.

    “O negro é protagonista do mercado emergente”, avalia comunicado do instituto. Meirelles salienta que a melhor inserção e a maior visibilidade positiva dos negros na mídia (por exemplo, como a atriz negra Thaís Araújo protagonizando a última novela das oito na Rede Globo) tem melhorado a autoestima dos negros. Pesquisa do Data Popular no primeiro semestre deste ano (feita em 54 cidades com 5 mil entrevistados) revela que apenas 2% dos negros queriam ter a pele mais clara (enquanto 11% dos não negros queriam ter a pele mais escura).

    O mesmo movimento também foi percebido pelo IBGE que verificou crescimento de 6% das autodeclarações como “negros” entre as pesquisas de amostra domiciliar (Pnad) de 1999 e 2009. Segundo Renato Meirelles, ascensão social e aumento da autoestima repercutem no comportamento e no consumo, disse citando o interesse geral pela cultura hip hop e o uso de dread nos cabelos, inclusive loiros.

    Conforme o Data Popular, “essa população [negra] está em busca de status de consumidora, revelando a necessidade da criação de linhas e produtos específicos para ela”. O comunicado do instituto aponta que o consumo se liga à imagem. “Estar bem-arrumado é importante tanto para as mulheres quanto para os homens negros, seja para diminuir a discriminação, seja para reforçar a identidade”.

    Para Tatiana Dias da Silva, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as políticas de cotas raciais para ingresso nas universidades poderão ser um mecanismo importante para melhor inserção do negro no mercado de trabalho e aumento de sua renda. Além dos efeitos na autoestima da população, ter mais negros cursando o nível superior também poderá mudar a composição das elites e a formação dos quadros de dirigentes do governo.

    Para ela, isso terá reflexo, por exemplo, nas decisões sobre as políticas sociais. “Isso é fundamental não só para tornar transversal a discussão e mudar a composição dos quadros. Com a diversidade, começamos a compreender os problemas de várias perspectivas”. A técnica do Ipea estima que a ascensão dos negros verificada na Pnad reflete “em parte” as políticas de cotas raciais nas universidades.

    O dado, no entanto, ainda não foi medido pelo IBGE que não perguntou em questionário de suas pesquisas se os estudantes negros entrevistados entraram nas universidades por meio de cota. Para Ana Lúcia Sabóia, chefe da Divisão de Indicadores do IBGE, é possível que as cotas raciais no ensino superior possam ter essas repercussões, mas “não deu tempo ainda” para o diagnóstico, “o período foi curto”, explica. Para Tatiana da Silva, perguntar sobre as cotas nas futuras Pnads, “pode ser uma possibilidade interessante”, recomendou.

    Leia mais sobre o assunto clicando aqui.

    Cotas: 10 anos de inclusão nas universidades públicas brasileiras

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