Do Candeal para Hollywood

  • Carlinhos Brown

  • Por Walter Brito

    Apesar das garrafadas e pedradas que expulsaram do palco no Rock in Rio em 2001, Antônio Carlos Santos de Freitas, ou Carlinhos Brown, ou também Carlito Marrón na Espanha, continua inteiro aos 50 anos de idade.

    Nasceu ouvindo os tambores dos Orixás no bairro do Candeal em Salvador.

    O ritmo dos terreiros foi assimilado por Antônio ainda infante.

    Logo, ele foi misturando os sons. Passou pela Bossa Nova de João Gilberto; o Reggae jamaicano de Jimmy Cliff e Bob Marley; e a batida do Olodum, comandado à época por Neguinho do Samba.

    O filho do Candeal queria mais, estagiou com Gilberto Gil, Caetano, Luiz Caldas e outros grandes da música brasileira, até se tornar, o rei da Timbalada. Este ritmo criado por ele, fruto do aprendizado nas universidades da vida, tendo como maior referência à escola da pobreza, das dificuldades e, também da fé dos santos guerreiros, que nunca o abandonaram.

    A elite preconceituosa

  • Carlinhos Brown no filme Rio

  • Os riquinhos do rock, que estudaram nas melhores escolas do Rio de Janeiro e do Brasil, não admitiam ver brilhando no palco e aplaudido por milhares de pessoas ao vivo e por meio da tv, e do rádio e da internet, por bilhões de pessoas mundo afora, o menino pobre de uma favela em Salvador. Este mesmo menino teve como único professor, o semialfabetizado, Mestre Pintado Bongo, de Salvador.

    A elite do rock naquela trágica noite preferiu mesmo ouvir os bens nascidos Guns n’ Roses, Ira, Ultraje a rigor e Oasis, mesmo sabendo que estavam expulsando do palco, o pai dos bisnetos do historiador Sérgio Buarque de Holanda, referência da cultura brasileira.

    Não sabiam os tupiniquins do rock, que o autor de: A Namorada e Velha Infância chegaria tão longe. Depois de se transformar no músico, instrumentista, compositor e cantor baiano, de maior sucesso na Europa, o cinquentão Carlinhos Brown, será conduzido pelos seus mentores espirituais, ao mais importante palco artístico do Planeta Terra. No dia 27 de fevereiro, o filho do Candeal chega todo prosa à Hollywood em Los Angeles, quando espera ser premiado com o Oscar, pela indicação de sua canção: “Real in Rio” do filme de animação “Rio” de Carlos Saldanha. ”Real in Rio”, compete na categoria melhor canção original com “Man on Muppets, de Bret Mekenzzil, do filme “Os Muppets”“.

    Além de artista, Carlinhos é um defensor inconteste da negritude no Brasil. Sobre a questão racial, ele tem consciência de como é racista o nosso país tropical. Em certa entrevista ele foi perguntado sobre Pelé e Wilson Simonal. Ele apenas disse que são dois eternos reis. Simonal foi sucumbido pela ditadura militar. Simona foi detonado pela difamação de pessoas maldosas, que afirmaram ser ele “dedo duro da ditadura”. O que mais tarde foi provado por meio de um Habeas Data do Ministério da Justiça, ser falsa à acusação.

    Contra estas maldades Brown está protegido: “Sou Abicum Obicurá (filho de Santo Antônio). Explica Carlinhos: “filho do vento e da intuição. Nasci com Orixá determinado, ou seja, com a cabeça feita como se diz nas religiões de matriz africana”.

    Ironicamente, o rei da Timbalada com sua canção Real In Rio concorrendo ao Oscar, dá resposta aos seus detratores do Rock in Rio em 2001. Ao povo brasileiro e do mundo que o aplaudem ele manda um recado pelo twitter: “Meu viva vai para Música Popular Brasileira e sua força arrebatadora. Obrigado meu Deus!!”

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