A dança das cadeiras no estado de Goiás em 2014

(Deputada Marina Sant'Anna e Dilma Rousseff)

Por: Walter Brito

A deputada Marina Sant'Anna, concedeu entrevista exclusiva a este repórter, no cafezinho da Câmara, quando falou de sua trajetória, a sua luta a favor das causas sociais no Brasil e a sucessão do Palácio das Esmeraldas em Goiás em 2014. Vereadora por dois mandatos em Goiânia e candidata ao governo do estado em 2002, a deputada tem também na bagagem passagem pelas salas de danças da capital goiana, quando aprendeu até a dança afro-brasileira. Talvez por isso, durante a entrevista ela demonstrou associar a dança à espiritualidade, com o propósito de tornar às classes desiguais, numa sociedade mais justa, sem preconceitos, onde todos de fato e de direito tenham um dia, oportunidades iguais. Combatente inconteste da homofobia e do racismo, ela se destaca também como defensora da igualdade dos direitos da mulher e ainda prioriza a luta dos deficientes em seu trabalho. A deputada integra na Câmara diversas comissões, entre elas a comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, Cultura, Igualdade Racial e em Defesa dos Quilombolas, entre outras.

Marina Sant’Anna contou à reportagem, que se despertou para a política, quando soube da greve dos metalúrgicos liderada por Lula da Silva em 1979. Nesse mesmo período ela integrava a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Goiânia, quando recebia refugiados das ditaduras de diversas partes do mundo. A partir daí, ela acompanhada dos companheiros de Goiás, se juntaram ao projeto comandado por Lula, no sentido de criar um partido para acolher a massa trabalhadora brasileira, quando surgiu o PT fundado em 1980. Questionada pela reportagem sobre a reforma política no Congresso Nacional a deputada afirmou o seguinte “O PT está na campanha de 1,5 milhão de assinaturas para criar uma Constituinte, ou seja, uma emenda de iniciativa popular legislativa, com o propósito de voto em lista preordenada, ou seja: o financiamento público de campanha, aumento da participação feminina nas candidaturas. O que na verdade é a convocação de uma Assembleia Constituinte especifica para a reforma. Eu acho muito importante isso, pois precisamos consolidar a democracia brasileira, aumentar o número de mulheres em todas as mesas do poder, aumentar o número de negros e negras na vida pública, bem como o número de jovens. O que ocorre na verdade é que, quem já está no parlamento, tem mais facilidades para continuar. Entendo que há um quadro totalmente desigual, o que não representa todos os segmentos da sociedade de forma efetiva”, declarou.

Comunidade Negra

Sobre a questão racial no Brasil, a deputada diz ter opinião formada e entende ser importante e fundamental, às políticas de ações afirmativas já criadas nos últimos dez anos, tais como: o fortalecimento da Fundação Palmares, a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial-SEPPIR, pelo presidente Lula em 2003, bem como a aprovação pelo Congresso Nacional, do projeto de autoria do senador Paulo Paim (PT-RG) e da deputada Benedita da Silva (PT-RJ), o Estatuto da Igualdade Racial, sancionado pelo presidente Lula no dia 20/07/2010.

“Em Goiás estamos sempre em contato com as lideranças negras, acompanhando o processo de desenvolvimento e integração desta comunidade. Recentemente estive com a vereadora Ester Fernandes de Castro, da cidade de Teresina de Goiás e representante da comunidade Kalunga e Quilombola. Eu e a Ester em companhia de outros representantes quilombolas estivemos em um seminário nacional da frente parlamentar, em defesa da produção orgânica e agroecológica, da qual eu faço parte da coordenação. Na oportunidade convidei Ester e outros integrantes do Quilombo Mesquita, localizado na Cidade Ocidental. Foi de fato um evento muito produtivo para a preservação dos valores culturais das duas comunidades tradicionais de nosso estado de Goiás”, arrematou.

Sucessão em 2014

Quando o assunto passou para a política e disputa eleitoral de 2014, com vistas ao Palácio das Esmeraldas, a deputada respondeu “É um desejo da militância do PT hoje, lançar candidatura própria ao Palácio das Esmeraldas. Nós sabemos também que esta é uma vontade do PMDB, do PCdoB, do PDT e outros partidos que compõem a base de sustentação da presidenta Dilma em Goiás e, oposição ao governo estadual. Estamos nos preparando com muita cautela. Será no dia 10 de novembro de 2013, que ocorrerá o primeiro turno das eleições internas do PT, o conhecido PED. O segundo turno será no dia 24 de novembro. Naquela oportunidade, o militante vota de cabo a rabo, como se diz popularmente. É o momento em que elegemos os dirigentes de nosso partido em todo país. Entretanto, queremos uma aliança ampla, com objetivo de vencer e vencer.”, disse.

Referente à formação da chapa que disputará o governo, a deputada afirmou de forma categórica que a decisão será de fato no estado, mas com a participação das lideranças nacionais e os partidos envolvidos. Ela diz ainda: “hoje, mais que em momentos anteriores, o PT tem um projeto nacional de alianças em curso. Não estamos apenas em um processo eleitoral, estamos tratando da continuidade de um projeto para o Brasil! Portanto, esse projeto nos estados não se subordina, mas se articula com o projeto nacional. O Júnior do Friboi chegou com legitimidade, pois vem abraçado por um partido que é o mesmo do vice-presidente da República. Michel Temer é um aliado de primeira hora do PT e o PMDB poderá buscar com muita legitimidade, uma candidatura do governo, seja ela com o Júnior do Friboi, com Iris Rezende ou outro militante do partido. Nós também temos esse direito, inclusive, já apresentamos uma lista de nomes à sociedade e aos nossos aliados. Tudo isso, faz parte de uma construção. Vale ressaltar que a nossa decisão se dará no congresso do partido. Os nomes de nossos governadoráveis são: Paulo Garcia, Antônio Gomide, Pedro Wilson Guimarães, Rubens Otoni, Olavo Noleto e o meu nome, Marina Sant’Anna”, afirmou.

Dilma no caminho certo

A deputada Marina Sant’Anna disse que a presidenta Dilma está no caminho certo e que, o desenvolvimento do Brasil não é só economia, e, não é só o PIB: “Nós estamos de olho no PIB também, como estamos de olho na inflação. Mas, estamos atentos à inclusão social, principalmente na diminuição das desigualdades sociais, e proteção ambiental. Aquilo que foi dito na Rio+20, não é um mero detalhe, é uma visão de desenvolvimento que dialoga com o mundo. Trata-se de uma saída muito melhor, do que foi empregada no passado em nosso país. Este modelo está sendo copiado em alguns países da Europa, onde a população está indo para rua desempregada, faminta e vivendo coisas que parecem com o período da segunda guerra. Aqui no Brasil estamos no rumo contrário, onde às pessoas adquirem mais bens, são consumidoras mais qualificadas, estão melhorando a sua qualidade de vida, e construindo as suas casas. E mais, conseguindo financiamentos para áreas diferenciadas. O Brasil está investindo em sua infraestrutura, que é uma coisa absolutamente necessária. Estamos preparando um projeto inovador, com a aprovação de uma lei enviada pela presidente Dilma na área dos Portos. Portanto, não estamos tratando de um detalhe apenas, e sim, de um conjunto desenvolvimentista para a nação brasileira”, concluiu.