Flores 50 anos: Terra de meu pai!

Por: Walter Brito

Uma das mais belas histórias do povo negro no Brasil se deu no ex-quilombo de Flores de Goiás, fundado há 360 anos às margens do Rio Paranã (foto). Povoada nos seus primórdios por escravos fugitivos da Bahia, o município passou por diversas fases, quando teve denominações variadas, dentre as quais o nome de Urutágua. Terra de meu pai, o alfaiate Vespasiano Gualberto de Brito. Ele saiu de Flores no dia 20 de fevereiro de 1943, aos 19 anos de idade, onde exercia a honrada profissão de peão de boiadeiro. Vespasiano foi para Formosa onde aprendeu a profissão de alfaiate, que exerceu até os seus 84 anos, quando deixou a vida para entrar na história da família Gualberto de Brito. Leia: “Memória de uma Família Negra Brasileira – Capa: artista plástico Siron Franco; Prefácio: Antônio Victor e apresentação do ex-presidente da República e senador, José Sarney”.

Lá na terra de meu pai, fizeram história também os saudosos Deusdesino de Souza Ferreira; Damásio Ribeiro de Miranda; Otílio Gualberto de Brito; Raimunda Alves Rosa; João Nego; Beneditinho; João Paulo; Santino Campelo de Miranda; Maria José de Miranda, entre outras personalidades que contribuiram de forma efetiva para a formação de um povo justo, ordeiro, trabalhador e acima de tudo, lutador pelas suas causas, especialmente conquistas do povo afrodescendente que ajudou a construir pedaço da história do Brasil e, ainda não foi reconhecido como deveria. Vale lembrar, que a Flores de Goiás de hoje, comandada por homens e mulheres de bem, tem como referencia moral, o produtor rural Alípio Inácio de Alvim, espelho de uma sociedade que não esquece os seus antepassados. Seu povo procura por meio da cultura, divulgar os seus valores e costumes. É lá que a Secretaria da Cultura abre espaço para a divulgação do Batuque, Roda de São Gonçalo, Sussa, Catira e a famosa Caçada da Rainha, cujo evento ocorre durante os festejos de nossa Senhora do Rosário, no mês de julho.

Vale lembrar que as margens do Rio Paranã, no centro de Flores Velha, diversos empresários e políticos da capital brasileira, adquiriram propriedades para lazer nos finais de semana. É de fato uma das maravilhas da natureza o velho Rio Paranã, que corta a cidade e encanta os nativos e turistas de diversos rincões de nosso país. No que se refere a economia, o município de 12 mil habitantes, sobrevive da agropecuária, com destaque para a lavoura irrigada. Nesse sentido o município já foi na década de 80, tempos áureos da agricultura na região, o maior produtor de arroz irrigado do estado de Goiás. Nesse período, governou a cidade, os ex-prefeitos Mercedes Ribeiro de Miranda e em seguida Wagner Gualberto de Brito.

Ao comemorar hoje, dia 14 de novembro, mês de Zumbi dos Palmares; 50 anos de emancipação política, quando pertenceu ao município de Sitio da Abadia, a cidade caminha firme rumo ao progresso e sob a administração competente prefeito eleito pelo povo José Dias Pereira (PTB).

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