Dilma fatura no mês de Zumbi!

(Joaquim Barbosa, Dilma Rousseff e Milton Gonçalves)

Por: Walter Brito

Dia 20 de novembro é a data Nacional da Consciência Negra, quando se rememora os 318 anos da morte de Zumbi dos Palmares, ocorrida no quilombo do mesmo nome em Alagoas. Zumbi morreu lutando contra a opressão, oportunidade em que formou a maior frente de combate ao racismo e a escravidão em todos os tempos no país. Ele foi, covardemente assassinado por seus algozes no dia 20 de novembro de 1695. No final da década de 70 ele foi reconhecido pelo movimento negro, como o maior símbolo de resistência, conquistas e vitórias da família afrodescendente.

Em 1888 a princesa Isabel acabou oficialmente com a escravidão. Entretanto, a partir daí, o povo negro foi colocado nas ruas sem lenço e sem documentos; sem o menor preparo para sair das fazendas e sobreviver nas cidades. É a consequência de que até hoje, o negro é minoria nas universidades; minoria no serviço público; principalmente nos altos cargos. É minoria também na iniciativa privada, especialmente nos cargos médios e executivos.

Portanto, o ex-presidente Lula acertou quando apoiou de forma efetiva a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR. Lula apoiou também de forma inconteste as cotas raciais nas universidades.

Na III Conferencia Nacional da Promoção da Igualdade Racial, ocorrida na semana passada, a presidenta Dilma marcou um gol de placa, ao encaminhar o projeto de lei, que reserva 20% das vagas para afrodescendentes no serviço público.

É importante lembrar que não precisa de nenhuma inteligência privilegiada do Congresso Nacional, para entender que o Brasil tem a obrigação de reparar o erro cometido no passado, consequência hoje da maioria negra nas prisões; a maioria de desempregados e na informalidade; a maioria dos desdentados; a maioria dos famintos; a maioria dos frequentadores da cracolândias Brasil afora.

Vale ressaltar, que durante a votação do Estatuto da Igualdade Racial no Congresso Nacional, que melhora a situação do negro no país, de autoria do senador Paulo Paim; os nossos parlamentares desfiguraram o projeto, com a desculpa de que o problema no Brasil é social, o que não é verdade. O projeto foi aprovado de forma que não atende efetivamente os anseios da comunidade negra brasileira.

Exceção à regra

Apesar de entendermos que as diferenças entre negros e brancos no país são gritantes; temos algumas poucas exceções de afrodescendentes que ascenderam e se integraram ao processo de desenvolvimento do país sem precisar das cotas raciais. Dois exemplos marcantes são o presidente da Suprema Corte, Joaquim Barbosa, e o ator da TV Globo, Milton Gonçalves.

Joaquim Barbosa, com a sua verve afiada, sua postura de homem que não se dobra, diante dos poderosos; sua fluência verbal em Inglês, Francês, Espanhol e Alemão; fizeram com que o filho de um pedreiro de Paracatu-MG, assumisse no dia 22 de novembro de 2012, o maior cargo que um negro chegou, em um país que ele construiu e não participa efetivamente de sua administração. Lá no Supremo, na plateia e na torcida; estava o militante do movimento negro nacional, esposo da doutora Oda Gonçalves e pai de três filhos, o ator Milton Gonçalves. Ele é sem dúvidas um dos maiores atores brasileiros de todos os tempos; diretor internacional da TV Globo e fundador histórico do PMDB. Vale relembrar que, Milton foi indicado pelo então ministro Maurício Corrêa, durante o governo Itamar Franco, para ser o ministro da cultura, quando substituiria na pasta, o filólogo António Houaiss. Milton agradeceu aos saudosos Maurício Corrêa e Itamar Franco e disse-lhes que tinha compromisso firmado com seu partido, o PMDB velho de guerra do também saudoso Ulisses Guimarães. Milton Gonçalves cumpriu seu compromisso e candidatou-se ao Governo do Rio de Janeiro em 1994. Joaquim Barbosa e Milton Gonçalves abrilhantaram de forma especial a data de Zumbi ano passado. Este ano, a presidenta Dilma Rousseff fez por merecer, os aplausos do povo afrodescendente. Esperamos que o Congresso Nacional, tenha a noção da responsabilidade histórica que está em suas mãos.