A tucana Ana Maria da Silva luta pelos hotéis alternativos em Brasília

(Ana Maria da Silva - PSDB/DF) foto: Edmildo

Por: Walter Brito

Há 57 anos na capital brasileira, ocorre a mesma cantilena: a legalização dos hotéis alternativos no Distrito Federal.

Desde que Lúcio Costa construiu as casas da W3 Sul em 1956, no ano seguinte começaram os aluguéis de quartos para funcionários públicos que vinham principalmente do Rio de Janeiro, prestar serviços na nova capital. Depois da cidade-estado consolidada, e a rede hoteleira erguida, especialmente nos últimos 20 anos, a perseguição contra os proprietários de hotéis alternativos no DF, aumentou de forma assustadora. Durante o governo de José Roberto Arruda, seus antigos cabos eleitorais, entre eles proprietários de hotéis alternativos na Asa Sul e Asa Norte, passaram a ser caçados como se fossem perigosos bandidos. Para sobreviver, tiveram que trabalhar na clandestinidade, e só alugavam seus quartos para pessoas conhecidas. Vale lembrar que essas mesmas pessoas foram usadas por Arruda como cabos eleitorais, quando ele assumiu o poder, declarou guerra aos seus ex-colaboradores. Ao todo, são 180 estabelecimentos e quase 3 mil funcionários no Plano Piloto, Em Brasília, movimentando cerca de R$ 80 milhões por ano.

A tucana Ana Maria da Silva, nasceu em Nerópolis, Goiás, e é proprietária de um hotel alternativo no DF há trinta anos. Ela quer ser representante da classe na Câmara Legislativa do DF. Ana concedeu entrevista ao jornal Diário da Manhã, quando questionou o descaso do governo com os hotéis alternativos, que existem em diversas capitais e cidades do primeiro mundo, tais como em Nova York, Paris, Roma, Milão, Bariloche, Tóquio, entre outras. “Moro há 30 anos na capital brasileira, e a minha contribuição com a cidade, tem sido hospedar pessoas do Brasil e do mundo a preços acessíveis, proporcionando um ambiente familiar que não existe na rede hoteleira tradicional. Esse tipo de hospedagem, não foi inventado por mim e nem pelos proprietários de hotéis alternativos de Brasília. Em todo o mundo civilizado, existe esse tipo de hospedagem, favorecendo quem não pode pagar o luxo de um hotel 5 estrelas”, disse.

Questionada pela reportagem sobre a sua filiação ao PSDB, a nova tucana respondeu: “Fui convidada para representar as mulheres de negócios do DF na Câmara Legislativa. Entretanto, a minha luta será também pela legalização dos hotéis alternativos. Empregamos cerca de 3 mil pessoas e, prestamos excelentes serviços aos turistas com menor renda. No período da Copa do Mundo, teremos em Brasília 600 mil turistas. Todo mundo sabe que a rede hoteleira não vai comportar os turistas que assistirão aos sete jogos no estádio Nacional Mané Garrincha. Acrescento ainda que, no referido período, casas de família se transformarão em hotéis, com o apoio da FIFA, do Governo Federal e do governo do Distrito Federal. Eu pergunto, por que não podemos nos estabelecer definitivamente, pagando os nossos impostos e oferecendo serviços de qualidade à quem ganha menos? - Eu e meu esposo Fernando e nossos filhos, sobrevivemos desse ramo. Juntos com outros proprietários, vamos exigir do governo de Brasília a legalização dessa farsa, que conta com a indiferença de nossos governantes e o respaldo dos grandes proprietários da rede hoteleira”, concluiu a tucana.

Ana Maria da Silva acredita que será eleita para a Câmara Legislativa do Distrito Federal, com o apoio de sua categoria profissional que tem o controle de mais de 20 mil eleitores na capital brasileira.